Archive for outubro 18, 2009
O que aconteceu depois…
Ao terminar os 42 e pouco, um mar de voluntários te entregam além da almejada medalha: água, gatorade, e uma manta térmica para o frio. Muitas mesas com pães, salgados e bananas, e claro, um pouco mais à frente a tal da cerveja prometida. E aqui um adendo, o nome da cerveja é 312 – eu estava achando esse nome nada atraente para uma cerveja, me lembrava o perfume 212 da Carolina Herrera – mas depois descobri que 312 é o DDD da localidade em Chicago aonde a tal da cerveja prometida era fabricada. Peguei o tal copo de cerveja – banana – pão – salgados e sai em direção ao local aonde tiramos uma foto com a palavra finisher atrás. Um pequeno degrau a frente, e adivinhem… a caimbrã! Simplesmente com toda a força. Curvei-me para frente – segurei a cerveja forte – nada pode cair agora, nem eu, nem o pãozinho – nem a cerveja!!! Perco a noção de tudo a dor é forte como nunca senti antes. O fotógrafo da organização chama os paramédicos, em dois minutos vieram ao meu encontro: dois paramédicos, um médico e uma moça empurrando uma cadeira de rodas. E em português mesmo eu gritei: cheguei correndo aqui, depois de 42 k, saio andando daqui! Cadeira de rodas nunca! Mas claro, fui super bem atendida, me alonguei e voltei ao normal. Mas gritei: cadê a cerveja!!!!???? – Acontece que durante a dor o fotógrafo pegou minha cerveja e muito generosamente segurou, até eu estar bem novamente, ufa!!. Foto tirada, saí para o guarda-volumes e depois ao encontro de meus queridos heróis.
Foi uma longa caminhada, da chegada até o centro do Millennium Park aonde, Ernani, Coelho e Claudio me esperavam tão felizes, que eu me senti uma chata, sentindo aquela sensação horrível pós-caimbrã e andando com dificuldade. Tivemos que encarar uns 800 metros até o meu hotel, e uma escadaria que foi um martírio. Mas tenho que confessar, depois que cheguei no hotel, tomei banho e um advil – fui gradativamente melhorando, e duas horas depois ao sair para jantar, eu já me sentia bem melhor. Agora o que restava era aquela dor deliciosa nas coxas. Dor do dever cumprido! E o cartaz daquela senhora, perto da chegada: You are our inspiration, ficou na minha cabeça.
Quem diria!! Há 10 anos atrás quando decidi perder peso, eu era a criatura mais sedentária do planeta, usando manequim 56 – pesando algo na casa dos 106 quilos – como poderia imaginar que estaria completando a terceira maratona. Não são só três vezes 42,195 – mas 3 vezes o treino para os 42,195! E aí a coisa pega. Alguns corredores não querem fazer Maratona – só por causa do treino. E eu digo, o mais gostoso de tudo isso é o treino. Mas essa sou eu né?…
Tenho algumas questões na minha mente agora … qual será a próxima? devo consolidar os 21 km, fazendo mais meias? paro um ano? ainda não sei nada!… Só sei que vou curtir essa medalha bastante.
Verinha Abruzzini

Foto tirada durante a Maratona